Quebre a moto, ande a pé, mude

A moto quebrou semana passada. Tive que gastar um pouco mais do tênis que já estava surrado pelos anos (inclusive, ele deu sinais de que quer descanso). A antiga/nova paisagem me compensou e me fez esquecer o peso da motoca. Na verdade me fez lembrar dos muitos anos que passei por essa linha de trem: as moedas que colocávamos no trilho para o trem amassar (uma dica: cole elas com durex), o cãozinho do meu amigo que morreu ali, a primeira vez que andei de trem, as amoras (não tenho certeza, talvez ameixas) que comíamos sentados na estação. Nunca percebi como aquela linha é importante pra mim.

A caminhada tortuosa me gratificou com imagens e inspirações que nem imaginava que podia conseguir naquele dia. Um estudante com uma cabeça de urso foi uma delas. Talvez por influência inconsciente da fantástica HQ Sweet Tooth. O Quadrinho que conta a história de um futuro distópico no qual os humanos nascem com partes de outros animais. Apesar de triste, a obra traz a importância da mudança. Mudar é tão vital quanto a água ou o ar.

Desenho daquele dia

Lembrei do polêmico poema Mude. Polêmico por sua autoria, pois alguns ainda acham que é da Senhora Lispector, já outros acreditam que é do Mago Paulo Coelho. Contudo, Edson Marques levou essa. Como metido a Doutor Sabe Tudo que sou, eu receito este poema de 3 em 3 meses a todos que se acomodam com a rotina da vida. Mude, quebre a moto, o carro, pegue uma carona, compre um livro dos Mullets, ande a pé, ponha uma cabeça de urso, faça alguma coisa! Só não morra na rotina. Não esqueça das linhas que te ajudaram a chegar até este post.

Enfim, o poema do Edson define bem melhor que minhas palavras soltas, ainda mais, na belíssima interpretação de Abujamra, lamentavelmente, levado pelo ceifador este ano.

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