Pequeno Conto

Conto Pai e Filho

Pai e Filho

Cheguei cedo pra trabalhar, mas meu pai já estava lá. Cumprimentei e a mesma resposta recebi:

– Bom dia.

Não nos falamos mais. De longe eu o observei a manhã inteira. Sua atenção era toda da tela do computador. Nada de redes sociais ou jogos virtuais. Apenas escrevia. Quase na hora do almoço ele saiu para fumar. Dez minutos depois voltou com um copo descartável cheio de café. No início da semana lhe mostrei meu texto. Horas depois me devolveu o papel. Disse que gostou dos diálogos. Atendo o telefone que tocou e ele se vai.

Depois do almoço ele demora a aparecer. Pego seu chapéu e o imito. Passeio pelo escritório, mas todos fingem não me ver. Um cheiro de álcool se espalha pela sala. De volta, o homem liga para algumas pessoas pedindo prazo. Provavelmente queria sair cedo. Nosso amigo zomba do seu jeito engraçado de falar.

– Filho, o seu conto é uma… Bosta!

Nesse momento perco a noção do tempo. Evito pensar, mas não consigo. Ele pensou que foi eu quem zombou? É essa a opinião dele? Será que tem razão? Aposto que nem leu. Não quero mais saber. Ele já se foi.

Pego minhas chaves e cigarros e observo o pôr do sol pela janela. Outonos são lindos e melancólicos. Termino mais um conto. Nunca mais mostro pra ele.

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