Star Wars – O despertar da força

Rey, Finn e BB-8 - Star Wars
Foto Divulgação

Cinema lotado, a estreia já havia acontecido há 5 dias. Burburinhos aos montes até que o casal na nossa frente toma um susto. BADABAMMMM! Bem grande na tela, surge STAR WARS! Se eu pudesse associar este filme a uma memória da minha vida, ela seria… Anos 90, meus pais chegam com um embrulho de presente e perguntam para os dois magricelos (eu e meu irmão) que não sabiam o que fazer com tanta ansiedade e felicidade: – Você sabe o que é isso?! – Gritando o mais novo responde (no caso eu) – Eu sei, um Atari!!!!!! … Hã?! Não entendi. O que isso tem a ver com o novo filme do legado do Mister George Lucas, dirigido pelo J.J. Abrams? Tudo e eu explico.

Quando eu penso no Atari, eu sinto saudade dos anos 80, eu sinto saudade de jogar vídeo game com meu irmão mais velho até altas horas, saudade da minha mãe dizendo que é preciso desligar o jogo senão a TV iria estragar (eu sempre acreditei nisso). Ao assistir as letras amarelas em perspectiva subindo na tela, anunciando a ópera espacial eu fui arremessado a um passado que tenho imenso carinho. Durante todo o filme este cuidado foi mantido. Um carinho com a história, com os personagens, com o figurino, com a fotografia, até com as famosas transições, hoje tão comuns no Power Point, que deram um charme para a nova obra.

Poster-Antigo-Star-Wars
© Lucasfilm Ltd. & TM. All Rights Reserved. 1977

O que quero dizer, quando eu revelo minhas memórias nesta crítica, é que a experiência de assistir este filme foi como abrir o presente que meu pai trouxe naquela manhã no litoral mineiro. Eu já sabia o que era. Eu queria muito aquela nova tecnologia. Eu ia me divertir por várias horas com o faz de conta. Eu já tinha escutado meus amigos comentarem. De longe, eu tinha visto do que ele era capaz, mas mesmo assim a felicidade de abrir o pacote não foi comprometida, pelo contrário, o já saber me deixou mais contente. Para os mais novos, ou até mesmo os tios e tias, que ainda não tiveram contato com a antiga saga, talvez a gostosa sensação de Dejà vu não seja uma verdade. É provável que se envolvam na aventura de outra forma. Contudo, é preciso dizer: – É impossível não se envolver.

BB-8 Star Wars
Foto Divulgação

A força tem um lado sombrio, e quando pensamos na franquia Star Wars é bem provável que este lado esteja na tentação do consumo das quinquilharias que nos oferecem. As técnicas estão cada vez mais sofisticadas. BB-8, o novo droid lançado antes da estreia do filme, foi um golpe baixo do dark side. Poxa vida, seu carisma é levado às alturas, talvez por sua mobilidade, bem maior se compararmos ao R2-D2 ou ao C-3PO. A bolinha branca e laranja, provavelmente um descendente do Wall-E e do R2, é um herói que nos cativa sem dizer nenhuma palavra na nossa língua.

O gostinho de quero mais está presente em todo o filme. Antes de acabar já estava com saudades. Queria voar mais uma vez com os Argonautas do futuro e tentar destruir a estrela da morte. Queria entrar na taberna com os piores piratas da galáxia e conhecer o Chewie e o Solo. Queria escapar pelo processador de lixo do Vader e tentar salvar a princesa Leia. Queria prometer à minha mãe jogar só mais uma partida de Star Wars no Atari e jurar que conseguiria acordar cedo no dia seguinte.

Douglas Zimmermann

Douglas Zimmermann

Natural do litoral mineiro (Juiz de Fora). Doug é artista, pai,  ilustrador, cinéfilo, quadrinista e designer, não necessariamente nesta ordem.

Alguns dos seus outros trabalhos: Site

 

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