Planeta dos Macacos – 1968

Planeta dos Macacos 1968
Não sou fã de super heróis. Assisto, mas não espere minha devoção. Quando criança, eu sempre gostei mais do vilão. Torcia para o Esqueleto vencer. Pelo menos uma vez. Analisando hoje, 20 anos depois. Vejo que meu interesse era pelos personagens imperfeitos. Heróis infalíveis nunca me cativaram de verdade. Eu torcia pelo vilão por que ele era mais humano que o mocinho.

Planeta dos Macacos, filme baseado no livro La planetè dês singes (Pierre Boulle), lança foco sobre o que nossas sociedades têm de pior. Racismo, desigualdade, fanatismo, ignorância, apatia, e por aí vai… Acredito que esse seja o motivo para tantos outros filmes terem sidos criados após o de 1968.

Alguns rabugentos focarão nos furos de roteiro. Acabarão com o filme por detalhes que ninguém se importa. Como por exemplo, o fato dos astronautas estarem despreparados ao chegarem ao novo planeta, contudo, este não é o tema central do filme, pouco importa se a ficção condiz com o “correto”. A vida real nunca é assim. Exemplo: para se dirigir, teoricamente, não devemos beber nada alcoólico. É isso que acontece nas noites de sexta-feira? Pergunte pra quem trabalha no IML. A vida não é coerente.

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O que me fascinou nesse filme? Meu sonho adolescente era voltar no tempo e me juntar às caravelas portuguesas para viajar pelo mundo. Se não desse para voltar queria ir para o futuro e descobrir novos planetas nas viagens espaciais que estão por vir. Contudo, o que me restou foi imaginá-las ou degustá-las. E no caso de O Planeta dos Macacos o deguste tem sabor de pimenta e mel. Ao embarcarmos nessa nova aventura nos reconhecemos em vários momentos, mas isso nem sempre é agradável.

Planeta dos Macacos 1968

Tentarei contar a história do filme, sem contar o que acontece, fazendo uma analogia com o que pode acontecer conosco em nossas vidas. Vamos lá, assim como o personagem você cai no mundo sem saber falar a língua daquela sociedade. Em seguida vai aprendendo através da dor qual deve ser o seu lugar. Percebe que para fugir daquela situação que se encontra terá que lutar muito e pensará em desistir. A justiça não é sempre justa, principalmente se você for diferente e pensar diferente dos que governam. Sem os amigos você está perdido. Os dogmas que criamos servem para manter a ordem e principalmente quem está no poder. Quando aprender a falar, não seja ingênuo. Questionar quem já sabe a verdade é apenas ganhar um inimigo. Você não mudará a opinião de todos. A verdade é dura e chega com o passar do tempo, se prepare para ela. Isso quer dizer, seja no mínimo sábio, pois um velho sem sabedoria é apenas um velho idiota.  É mais ou menos isso.

Planeta dos Macacos 1968

O filme traz um sentimento que se mistura com o desejo de conquistar novos mundos citado anteriormente. É o sentimento de criar tudo novamente. Começar do zero. Adão e Eva. Aquele anseio que nós sentimos nos anos 2000. Naquela época, previsões para o fim do mundo choveram aos montes. Todo mundo no fundo quer um apocalipse pra poder começar do zero, mas com mais cautela e sapiência. No entanto, não é desse jeito que a banda toca. A vida não para você se sentar e tocar seu contrabaixo. É preciso seguir o fluxo.

Douglas Zimmermann

Douglas Zimmermann

Natural do litoral mineiro (Juiz de Fora). Doug é artista, pai,  ilustrador, cinéfilo, quadrinista e designer, não necessariamente nesta ordem.

Alguns dos seus outros trabalhos: Site

 

2 comentários em “Planeta dos Macacos – 1968

  1. Eu adoro esse filme.
    Lembro de assistir várias vezes quando era criança.
    Hoje, mais velha, já li o livro e apesar de uma ou outra incongruência no roteiro, continuo achando o filme interessante.

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