Ele está de volta

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Ele foi embora? A xenofobia, o extremismo, o fascismo, a misoginia. Esses fantasmas realmente algum dia nos deixarão? O dramaturgo alemão Bertolt Brechet disse: — A cadela do fascismo está sempre no cio.

O filme foi montado no estilo de documentário e conta a história de Adolf Hitler vivo 70 anos depois no centro de Berlim procurando seu Bunker. Imagino como tenha sido difícil e, ao mesmo tempo, prazeroso para o autor se colocar no ponto de vista de um ditador que morreu há mais de meio século. Hitler ganhou a Alemanha vendendo ideias, discursando para as massas. Divulgou seus ideais através dos velhos meios de comunicação (Jornal, Livro, Rádio e Cinema). De repente, ele se depara com a TV à cabo, internet, e-mail… Com o YOUTUBE!

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O polonês sociólogo Zygmunt Bauman chama as mídias sociais de tranquilizantes. O meio digital se tornou um labirinto de espelhos feito especialmente para nosso narcisismo. Se alguém nos desagrada, desfazemos a amizade na mesma hora. E com a opção da outra pessoa nem precisar saber da “briga”. É só deixar de seguir. Ou seja, Adolf tem um cenário ideal. Os novos meios de comunicação são rápidos, baratos e superficiais. Existe uma insatisfação generalizada que não se sabe bem de onde veio, talvez dos tempos de paz que o ocidente vive. Basta apenas viralizar o conteúdo e pronto! E é isso que o filme nos mostra. Como algo ruim, prejudicial ao ser humano é aceito e compartilhado por todos. Como não refletimos e consumimos qualquer tipo de entretenimento barato. Até mesmo aquele que vai nos causar sérios problemas.

Algumas cenas foram feitas com câmeras escondidas pela Alemanha. O ator que interpreta o antigo Führer (Oliver Masucci) disse que se assustou ao ver as pessoas aplaudindo e o cumprimentando. Hoje, a Alemanha vive um momento delicado. Com a crise dos refugiados, acreditou-se que não seria um bom momento para tocar nesse assunto. Afinal de contas, muitos são contra o acolhimento dos exilados. Contudo, para David Wnendt (diretor) esse é o momento certo. Hitler teve o apoio da maioria. Os germânicos viviam uma crise financeira sem precedentes, o antissemitismo era aceito por todo o mundo. Todos os ingredientes estavam ali. Aquilo não foi obra de apenas uma pessoa.

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Tá fácil assistir. O filme está disponível no Netflix.

Não deixe de ler o livro homônimo que serviu de inspiração para a película!

 

Douglas Zimmermann

Douglas Zimmermann

Natural do litoral mineiro (Juiz de Fora). Além de gostar de escrever, Doug é pai, ilustrador, cinéfilo, quadrinista e designer, não necessariamente nessa ordem.

Alguns dos seus outros trabalhos: portfolio

 

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