Divertidamente

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Se este filme tivesse sido lançado nos anos 1980, Lagoa Azul teria sérios problemas para manter o título de campeão da Sessão da Tarde. A mente humana sempre foi e, provavelmente, sempre será um mistério e, talvez por isso, motivo do nosso desejo. Pete Docter e Ronnie Del Carmen (diretores) trouxeram uma sensacional metáfora para tentar explicar como este emaranhado de sentimentos e memórias funciona. Uma mesa de comando é dividida pela Tristeza, Raiva, Medo, Nojo e Alegria. Estamos dentro da cabeça de Riley, uma pré-adolescente que se muda para San Francisco e se vê em conflito com suas emoções.

Esta história é a prova cinematográfica de que pessoas que são extremamente alegres são proporcionalmente chatas. Imagine um mundo sem a tristeza, a raiva, o medo ou até mesmo o nojo. Então você terá um mundo sem os quadros do Van Gogh, sem Psicose de Hitchcock, sem Frankenstein de Mary Shelley ou sem Metamorfose de Franz Kafka. Andemos de patinete nos campos verdes dos Teletubies e ao fundo escutemos os Conselhos Eternos narrados pelo Cid Moreria. Pois é, o Capiroto deve ter pensando neste cenário também quando criou o lar dele.

Tristeza Divertidamente

Caso não tenha assistido, se prepare! Você chorará, a não ser que seja alguém desprovido de sentimento algum, ou seja, procure ajuda. Mas com certeza você chorará! Por dentro também conta. A lágrima interna, aquela que ninguém vê, sabe? Esta também é considerada choro. No meio do filme você lembrará dos momentos mais tristes da sua infância, e claro, foram vários. Quando você e seus amigos tentaram roubar Coca-Cola do vizinho, mas desistiram no meio do caminho porque a vizinha fofoqueira chamou a polícia. Ou então, aquela vez que foram pegar jabuticaba no museu, mas tiveram que fugir porque tinha um tarado escondido. Ou quando mentiu para alugar uma fita das Tartarugas Ninjas. Disse para os pais que não haveria aula no dia seguinte e se arrependeu profundamente no finalzinho da noite…. Quer dizer, não necessariamente estas lembranças, mas algumas parecidas em que a alegria, a raiva, o medo, o nojo, sobretudo a tristeza serviu para você crescer.

Dentre outras coisas, o filme trata das memórias que são esquecidas. Confesso que isso me atormenta. Sempre quis poder lembrar de tudo e invejo abertamente (sem nenhum orgulho disso) quem tem uma grande memória. Um dos meus medos maiores é ter Alzheimer, ou alguma outra doença que leve ao esquecimento. Ao ver todas as memórias jogadas fora da mente de Riley me deu um aperto na alma. Queria poder salvar tudo. Sei que você dirá, mas é preciso seguir em frente, não dá pra guardar tudo que acontece em nossa vida, precisamos deixar de lado algumas coisas e continuar o caminho. Tá bom, mas no dia que pudermos guardar me conta aí se você não vai querer ter um HD blindado protegendo suas férias inesquecíveis em Londres, seu “sim” no casamento ou seus primeiros passos. Fala aí, “politicamente legal”!

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Além de ingrato, como bem disse Maquiavel, o ser humano também é volátil. Agimos de acordo com nosso meio. Se alguém tropeça e machuca o dedão, a raiva surge e com ela a tristeza. Mas não dá pra ficar triste e nervoso o tempo todo. Colocamos um curativo e ficamos mais atentos para não tropeçar novamente. É verdade que a atenção não dura mais que um quarteirão e se outra pedra estiver no caminho adeus dedão. E por aí vamos.

Ps.: Chorar balas é genial.

Douglas Zimmermann

Douglas Zimmermann

Natural do litoral mineiro (Juiz de Fora). Doug é artista, pai,  ilustrador, cinéfilo, quadrinista e designer, não necessariamente nesta ordem.

Alguns dos seus outros trabalhos: Site

 

2 comentários em “Divertidamente

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